sexta-feira, 11 de maio de 2012

A Hidden Love


Não que a gente queira, mas a aceitação é a única saída, único caminho. Entre olhares explicativos, conversas caladas, risadas contidas e falas mudas, a gente namora, se ama. Os gestos, pouco usados ou pouco ousados, se resumem aos olhos piscando, um carinho de leve na mão, um sorrisinho quase gelado, meio que de canto e algumas palavras, sussurradas, de amor. 

Assim é. Assim será. Talvez. A rua mais deserta, aquela mais escura é a mais aconchegante. Ali a gente quase se liberta, se esbalda, se derrete totalmente. Quase. Ali a gente é o que é, sem mentiras, sem máscaras, sem fronteiras. A verdade é que a escuridão é agradável. 

Sem rotina, sem um costume, não por escolha, mas, digamos que por imposição, por diversos setores da vida, os momentos, o tempo é escasso. Quase raro. Inegável a tristeza. Não por alguém, mas por as circunstâncias impostas. É e pronto. Sem discussão. Sem vinho, sem carinho na sala, nem na cozinha, nem em qualquer conforto. 

A saudade aperta, a lágrima rola rosto abaixo, mostrando a sensibilidade, a saudade. Mostrando como são as coisas, como é essa "tal" de vida, ora vadia, ora bandida, ora agradável. Não é complicado ter um lar. Entende-se como lar, um lugar onde ali vive uma família, um casal feliz. Diferentemente de casa. Mas como ter uma casa e transformá-la em um lar? O lar eu já possuo, mas e a casa, a janta, o almoço, o filme, as pipocas?

Como amar? Amo um amor escondido, às escuras, às sombras de todos, de tudo. Me faz falta ser amado e amar às claras, ter um canto para isso, para ser feliz de verdade. Me faz falta te ter e não poder contar com isto. Faz falta o teu abraço à noite e o beijo de dia. Faz falta aquela vida que eu nunca tive. 

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